SEMEAR A PALAVRA DE DEUS

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Dom Orani João Tempesta

“Um semeador saiu a semear …” É o início da parábola que está no centro do Evangelho deste 15º. Domingo do Tempo Comum (Mateus 13,1-23); um início simples, quase trivial, como parece mais óbvio em seguida: no difícil terreno palestino de então, a semente espalhada “como chuva” cai apenas parcialmente em terra boa, onde irá dar frutos, em grande parte se perde no terreno seco, ou entre as pedras ou entre espinhos.
Com algumas exceções, todas as parábolas apresentam semelhantes traços da vida comum, de pouco interesse à primeira vista: a pesca pobre ou abundante, um homem assaltado por ladrões em uma estrada solitária, um pai que luta com os delírios dos filhos, dois homens que vão orar, uma mulher que percebe ter perdido uma moeda, uma outra prejudicada por falha na justiça.

Pode-se perguntar de onde vem o encanto dessas histórias, ainda vivas após dois mil anos em um mundo mudado radicalmente. A resposta, paradoxalmente, está no fato de que elas não mostram circunstâncias extraordinárias, mas sempre a partir dos pequenos problemas em que nos encontramos presos ou que conhecemos e que hoje também poderiam nos afetar: problemas de todos, como sempre, essencialmente os mesmos que há dois mil anos atrás – mudou apenas no modo externo. Por isso nos envolvem, pois numa ou noutra podemos nos reconhecer, mas muitas vezes as vivemos de uma forma superficial, entediados ou irritados. As parábolas nos fazem descobrir uma dimensão mais profunda, que as removem da banalidade e conferem ao cotidiano toda a espessura da vida real.

A parábola do semeador é um exemplo claro. Jesus faz a narração, como Ele mesmo depois explica, para comparar o semeador a Deus, a semente à sua Palavra, e os diferentes tipos de terrenos para as diferentes formas em que os homens se colocam diante dessa. Aqueles que não a aceitam ficam tão secos como a estrada; as pedras e os espinhos indicam os que receberam a Palavra, mesmo com entusiasmo, mas, superficialmente, sem deixar criar raízes, de modo que na primeira dificuldade a colocá-la em prática a abandonam, e apenas aqueles que realmente a fazem própria dão seu fruto abundante A parábola é, portanto, um convite para não ser superficial em relação à fé, a tomar consciência de que acolhê-la com coerência dá valor a cada momento da vida.

Mas em transparência da parábola, deduz-se também outra coisa. Por exemplo, que Deus não se desinteressa pelos homens; o fato de que lhes dirija sua palavra demonstra que Ele tem cuidado de orientá-los para o bem. Nesse sentido, a parábola ocupa um tema já presente no Antigo Testamento, como se pode ler, entre outras, na bela página dos profetas escolhida hoje como a primeira leitura (Is 55,10-11): “Assim diz o Senhor: Como a chuva e a neve descem do céu e não voltam para lá sem irrigar a terra, sem a ter fecundado e feito brotar para que possa dar a semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra da minha boca….”

A parábola do semeador implica que, como Deus espalha sua Palavra sobre os homens, o mesmo acontece com cada um de nós: as nossas palavras, aquelas ditas e não ditas, quando na verdade elas deveriam ser ditas, aquelas faladas e aquelas caladas, feitas de gestos e comportamentos, nunca são sem consequências; como a pedra lançada no lago, sempre produzem ondas que se espalham fora de proporção, de longo alcance, produzem nos outros reações, opiniões, atitudes.

Muitas vezes não pensamos, mas todos nós somos semeadores. Assim, se de um lado a consciência de influenciar sobre os outros dá sentido a todo momento e, em seguida, afirma que a vida, na realidade, nunca é trivial, de outro lado é para perguntar-se que semente lançamos ao nosso redor? A diferença entre Deus-semeador e o homem-semeador é esta: Deus sempre espalha a boa semente, que dá frutos abundantes em quem a recebe, enquanto nós sabemos lançar sementes envenenadas, que fazem sofrer. Talvez, às vezes, não tenhamos consciência disso, e é a nossa desculpa, por isso mesmo temos de avaliar cuidadosamente o que semeamos.

São Paulo Apóstolo, na passagem de Romanos que lemos neste domingo, nos faz lembrar do nosso destino eterno, fazendo-nos tomar consciência de que, mesmo os mais terríveis sofrimentos de hoje ou de uma vida inteira, são bem pouca coisa, temporalmente, concretamente, se comparados com a felicidade eterna, para a qual caminhamos, na medida em que fazemos tesouro da Palavra de Deus e não apenas a ouvimos, mas a praticamos.

Bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e vivem-na todos os dias, nós cantamos juntos na liturgia eucarística, como se pode rezar na oração inicial da Missa de hoje, “Aumentai em nós, ó Pai, com o poder do vosso Espírito, a disponibilidade para acolher a semente de vossa palavra, que continuais a semear sobre toda a humanidade, para que frutifique em obras de justiça e de paz e revele ao mundo a bendita esperança do vosso reino”.

Em outras palavras, um forte apelo à nossa responsabilidade pessoal sobre a adesão à Palavra de Deus que nós ouvimos durante as várias celebrações religiosas ou que podemos meditar pessoalmente, tomando em nossas mãos a Sagrada Escritura e lendo-a sistematicamente. Se não podemos fazer pessoalmente, porque limitados no tempo e nas condições físicas, valorizemos todas as oportunidades que nos dão as comunidades paroquiais, e também os múltiplos meios de comunicação que oferecem serviços à Palavra, tais como Internet, televisão, rádio, jornais, imprensa, revistas de todos os tipos.

É importante valorizar e estudar o texto sagrado e, em sintonia com ele, conduzir a nossa vida pessoal para a santificação e salvação eterna, vocação de todo filho de Deus. Entender o que o Senhor quer para cada um de nós é o primeiro passo para a felicidade, passando pela purificação do coração e da mente, exatamente como nos diz o trecho do Evangelho deste domingo – décimo quinto do tempo comum. Se o nosso coração ainda está duro, árido, sem qualquer valor moral não poderá jamais dar uma resposta produtiva à Palavra, que também entra e toca a sua profundidade. É preciso diltar o coração para acolher a Palavra e levá-la para a vida, tranformá-la em exemplo vivo.

Neste contexto, a nossa Arquidiocese do Rio de Janeiro recebe bispos de várias partes do Brasil, nesta semana próxima, para discutir como evangelizar nessa nova cultura nascida com as novas mídias. Trata-se do Seminário de Comunicação para os Bispos do Brasil (SECOBB), que tem como objetivo oferecer um espaço de reflexão e debate sobre o fenômeno da comunicação, a evolução de seus fundamentos e a natureza de suas práticas. Também apresentar os desafios que esse fenômeno traz para a Pastoral da Comunicação.

As novas mídias são ferramentas fundamentais para o anúncio da Palavra de Deus. Atrás de nossas mídias estão milhares de pessoas que estão empenhadas, até mesmo com suas próprias vidas, para que a Palavra de Deus seja anunciada e Cristo seja ainda mais conhecido por todos. Tenho certeza de que a missão dos nossos comunicadores fez com que a imagem pública da Igreja diante da sociedade fosse ainda mais trabalhada com a verdade, para ser ainda melhor conhecida diante de tantas situações midiáticas hodiernas.

Vamos acolher o Senhor Arcebispo Presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Dom Claudio Maria Celli, que fará a abertura do seminário, e os senhores Bispos no Brasil para que a Palavra de Deus seja devidamente anunciada, usando de todos os meios que as mídias nos oferecem. Peço aos fiéis que rezem nestas intenções e que a Palavra de Deus continue sendo luz para os nossos pés e lâmpada para os nossos caminhos.

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Fonte: http://www.radiovaticana.org

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NÃO QUEREMOS SÓ TÉCNICOS, MAS TESTEMUNHAS DE CRISTO

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Cardeal Robert Sarah

Voltar a dar o selo do cristianismo à identidade caritativa, fazer entender que tal identidade provém de Deus: este é o objetivo do congresso internacional de voluntários católicos que se realizará nos dias 10 e 11 de novembro em Roma.

Quem explicou nesta quinta-feira foi o cardeal Robert Sarah, presidente do Conselho Pontifício Cor Unum, em um café da manhã de trabalho com jornalistas que participaram de um curso de informação religiosa na Universidade da Santa Cruz.

“Eu não estaria aqui se não tivesse visto homens morrendo por mim, que me deram a fé, a cultura e tantas coisas”, disse com emoção o cardeal que, nos anos 80, foi bispo de Conakry, na Guiné, e que se salvou por pouco durante algumas perseguições na África.

E sublinhou que, em muitos países, “a verdadeira insuficiência não é de alimento ou vestimenta, mas de Deus” e que Bento XVI explicou como este vazio “é causa de sofrimento na sociedade”.

O número total de voluntários na Europa é de aproximadamente 140 milhões, ainda que seja muito difícil precisá-lo.

No congresso, estarão presentes os responsáveis de associações de voluntários de inspiração católica, além de convidados, como a responsável da UE de cooperação internacional e ajuda humanitária e voluntários,Kristalina Georgieva.

Dois dias que serão um passo a mais no percurso iniciado há poucos anos com a encíclica Deus caritas est, seguida pelos exercícios espirituais continentais e depois repetidos em diversos níveis, e com vários encontros com bispos.

Nesta perspectiva se insere também a reforma da Cáritas Internacional, que teve em maio passado sua assembleia geral, com a presença de representantes de 165 organizações membros, “com novos estatutos que deverão ser aprovados e cujo rumo está na direção correta”.

O purpurado recordou que, entre os voluntários, “não queremos somente técnicos, mas que estes também sejam testemunhas de Cristo, particularmente quando se trabalha nas missões”.

O cardeal Sarah traçou também um panorama do trabalho de Cor Unum, querido por Paulo VI para que se ocupe da caridade do Papa e da Igreja, realizando catequeses da caridade nos diversos continentes; e para que seja referência e instrumento de coordenação entre as associações de voluntários e a Santa Sé, além de organizar em primeira pessoa ações humanitárias de emergência.

Entre elas, a do Japão, para onde enviaram 150 mil euros imediatamente após o tsunami. O cardeal definiu como notável a capacidade de organização do país, onde, dois meses depois da catástrofe, já se estava começando a reconstruir.

Outra intervenção foi no Haiti, para onde enviaram 300 milhões de dólares, dos quais 1,2 milhão a título pessoal de Cor Unum.

Aqui, o cardeal constatou que existe uma dificuldade muito grande para coordenar as intervenções, em parte devido à responsabilidade dos governantes, razão pela qual as associações se veem obrigadas a caminhar cada uma por conta própria.

Interrogado sobre as causas da pobreza em um continente tão rico como a África, se era culpa dos dirigentes locais ou dos investidores estrangeiros, o purpurado africano considerou: “Não devemos negar a nossa responsabilidade, mas também a dos poderosos. Se existem corruptos é porque também existem corruptores”.

E acrescentou: “Não nos esqueçamos de que as guerras permitem explorar sem regras”; e perguntou-se: “De onde saem todas essas armas tão caras? Como são pagas?”.

Por outro lado, explicou que a Fundação Populorum Progressio, fundada por João Paulo II, intervém com diversos projetos de microcrédito, geralmente não superiores a 10 mil dólares. Na América Latina, por exemplo, nos últimos 15 anos, financiou mais de 3 mil, em um valor total superior a 26 milhões de dólares.

Além disso, os custos de gestão são particularmente baixos. Nos próximos meses, a FundaçãoPopulorum Progressio realizará diversas atividades em vários países da América Latina, dando a conhecer o trabalho que realiza.

Presidente do PCCS fala sobre o 1º Seminário de Comunicação para bispos do Brasil

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Dom Maria Celli

O Rio de Janeiro acolhe, a partir da próxima terça-feira, 12, o 1º Seminário de Comunicação para os Bispos do Brasil. Organizado pelo Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, (PCCS)  Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arquidiocese do Rio, o encontro reunirá bispos de todo o pais para discutir comunicação e evangelização a partir da mudança cultural provocada pelas novas tecnologias da comunicação.

Um dos conferencistas do evento, o presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais (PCCS), dom Claudio Maria Celli, explica que a ideia do seminário nasceu durante a visita ad Limina dos bispos brasileiros.

“Digamos que este seja o momento oportuno para a reflexão dentro da Conferência dos Bispos do Brasil sobre o tema da comunicação hoje na Igreja. Vejo esta iniciativa com grande interesse e satisfação”, disse o presidente do Pontifício Conselho. “Considero muito importante que estes bispos tenham tomado essa decisão: três dias a serem totalmente dedicados a uma reflexão que abrange todos os campos sobre o tema da comunicação”, completou.

O arcebispo avalia como importante a reunião dos bispos brasileiros para discutir “o que significa, hoje, afrontar uma pastoral no mundo da comunicação, encarando o desafio da nova tecnologia”.

“As novas tecnologias não desempenham apenas uma função instrumental, mas, sabemos com mais consciência, que elas se colocam numa nova cultura, a que nós, hoje, chamamos de cultura digital. É o homem de hoje. E a Igreja tem esta profunda consciência de que deve anunciar a mensagem ao homem de hoje. Um homem que está inserido, que vive nessa nova cultura. Este é o grande desafio para a Igreja: ver como fazer, que coisa fazer e em que medida estar presente no novo contexto cultural”, ressalta dom Maria Celli.

Segundo o presidente, as novas tecnologias possuem uma nova linguagem. “Devemos dialogar com essa realidade e conseguir que a mensagem do Evangelho seja colocada também nesse contexto. E aí eu digo que permanece forte para todos nós justamente o tema da linguagem. O meu falar com o homem de hoje, com uma linguagem que ele compreenda, uma linguagem que não seja apenas alguma coisa que eu use para ser entendido, mas uma linguagem em que exista uma profunda dimensão antropológica”.

Fonte: http://www.cnbb.org.br

Evangelho – Mt 10,24-33

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+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor.
Para o discípulo, basta ser como o seu mestre, e para o servo, ser como o seu senhor.
Se ao dono da casa eles chamaram de Belzebu, quanto mais aos seus familiares!
Não tenhais medo deles, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido.
O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia;
o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados!
Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!
Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!
Não se vendem dois pardais por algumas moedas?
No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai.
Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados.
Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais.
Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus.
Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus.
Palavra da Salvação.

Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus

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Hoje comemoramos a santidade de vida da naturalizada brasileira Amábile Lúcia Visintainer que nasceu no ano de 1865 e partiu para a Glória em 1942. Nascida em Vigolo Vattaro (Itália), com apenas 10 anos de idade emigrou com seus pais para o Brasil dirigindo-se para o Estado de Santa Catarina, no sul do país.
Santa Paulina, antes de entrar para a vida consagrada, dedicou-se religiosamente em cuidar de uma senhora com câncer e a partir desta experiência caridosa deu-se a descoberta do Carisma que fora reconhecido em 1895 pelo Bispo de Curitiba, Paraná, com o nome de Filhas da Imaculada Conceição.
Na oração litúrgica da Igreja é pedido a Deus para nós fiéis a virtude do serviço, motivado pelo amor, a qual mais brilhou no coração da virgem Paulina do Coração Agonizante de Jesus.

Santa Paulina, rogai por nós!