A grande questão é saber discernir a voz de Deus

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Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho

Na parábola do semeador Jesus mostrou como há diversas maneiras de se receber a Palavra de Deus, a qual Ele compara com uma semente.Segundo Santo Agostinho, “escutar a Palavra de Deus é como se alimentar de Cristo”. Ele explica que há duas mesas na Igreja: a mesa da Eucaristia e a mesa da Palavra. Com isso ele patenteava que a Palavra de Deus é um alimento espiritual. Quem bem se nutria dessa refeição santificadora era a Santíssima Virgem Maria, a irmã de Marta e Lázaro, elogiada por Jesus pelo fato de O escutar atentamente, deixando todos os outros afazeres. Aliás, o próprio Cristo aconselharia: “Procurai, antes de tudo o reino de Deus e tudo mais vos será dado em acréscimo” (Mt 6,33).
Portanto, estar atento à Palavra constitui a melhor parte da vida do batizado. Ao deixar Deus entrar na mente pela Sua Palavra, meditando-a profundamente e fazendo dela a força e o sustentáculo de cada instante o cristão age menos pela emoção, mas solidificado em profundas raízes espirituais. Isso porque há então uma conexão admirável dos esforços humanos com o pensamento divino e se colhe um fruto tanto mais saboroso quanto maior for a docilidade em acatar as inspirações celestes advindas da Palavra.
A grande questão é saber discernir a voz de Deus da voz humana. Ele fala a cada um de maneira diferente. Faz ressoar a Sua Palavra por meio de outras pessoas; por meio dos acontecimentos tão repletos dos gestos divinos; das provações de cada hora; mas, sobretudo, é claro, pela Escritura Sagrada ouvida na Liturgia, que é o lugar privilegiado no qual Deus se faz ouvir; e, ainda, na conversa pessoal com Ele numa leitura bíblica individual.
Tanto isso é verdade que a mesma passagem da Bíblia cada vez que é refletida traz novas mensagens para a alma de acordo com suas necessidades naquele momento. O citado Santo Agostinho lia e relia muitas vezes certos trechos bíblicos para que pudesse entender o que Deus lhe queria comunicar.
Quem assim procede percebe a reciprocidade da parte do Espírito Santo que exige uma persistência em querer discernir Sua luz, que ilumina, guia e salva. Desenvolve-se, desta maneira, uma amizade pessoal com Deus, a capacidade de perceber as minúcias de Seus recados, que, muitas vezes, parecem interpelações que cumpre sejam analisadas. Elas dizem a respeito a nós mesmos, aos que estão em nosso derredor e à nossa relação com Ele.

Por tudo isso cumpre que se viva na presença de Deus Pai, que quer falar a cada um a cada instante num colóquio repleto de luzes, mas tantas vezes exigente, provocador, requerendo sempre um esforço maior em busca da própria santificação e da do próximo. Com efeito, o ato de escutar a Palavra que gera a fé é não só a escuta da palavra escrita, mas também a escuta da palavra interior pronunciada pelo Espírito Santo no íntimo da consciência.

Isto supõe evidentemente empenho existencial que envolva todas as potencialidades humanas, uma vez que o Todo-poderoso age em cada um e com cada um.

No Evangelho Cristo compara a Sua Palavra a uma semente que produz mais ou menos abundantemente de acordo com a qualidade do terreno. Esta Palavra, segundo a Carta aos Hebreus, é como a “espada de dois gumes” que “penetra até dividir alma e espírito, junturas e medulas. Ela julga as disposições e as intenções do coração” (Hb 4,12). Eis por que sempre que ouvida com humildade ela é transformante, operando uma cristificação radical, por isso é necessário sempre a atitude de Maria, que disse ao Anjo: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
O efeito da Palavra de Deus depende, assim, do empenho de cada um sempre aberto ao diálogo com o Criador. É preciso deixar que a Palavra se apodere inteiramente do coração que vai assim ao encontro com as Pessoas Divinas, ou seja, ao diálogo inefável da dileção profunda na qual se responde sinceramente a Deus, que fala e que exige uma atitude obediencial. Por este acatamento é que a alma se torna terra boa, produzindo fruto cem por um!

Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos

Fonte: http://www.cancaonova.com

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DOCUMENTO DO SÉCULO XII ROUBADO DOS COFRES DA CATEDRAL DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

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Catedral de Santiago de Compostela

O Código Callistino, que é um documento do século XII de valor inestimável, foi roubado da Catedral de Santiago de Compostela nas últimas semanas. O furto foi descoberto na semana passada, mas estima-se que tenha ocorrido ainda antes.
A peça é atribuída ao monge Aymerico Picaud de Pitou, que acompanhou o Papa Callisto na sua peregrinação à tumba de São Tiago no ano de 1109. Formado por cinco livros e dois apêndices, reunido em volume único em 1964, o Código nasceu com a intenção de difundir a devoção ao apóstolo Tiago, mas é também um guia para peregrinos com conselhos práticos, descrição dos itinerários, dos usos e costumes das populações e das obras de arte que se encontram ao longo do caminho até a tumba do Apóstolo.
A polícia está investigando o caso. O decano da Catedral, José Maria Diaz, disse que somente três pessoas têm acesso à caixa-forte onde estava o Código, aliás, mantido junto com outros documentos de valor. Uma dessas três pessoas afirmou que até a quinta-feira da semana precedente ao furto a obra ainda estava lá. O Código nunca é removido do cofre, nem mesmo para exposições, existindo uma cópia exata à mostra no museu.
As câmeras espalhadas pela catedral não registraram nada de suspeito. O ministro da cultura espanhol, Ángeles Gonzáles-Sinde, declarou ter confiança na competência da polícia nacional baseada em exemplos de casos anteriores desse tipo.

Fonte: http://www.radiovaticana.org

OS TRÊS “M” DO PADRE: MISSIONÁRIO, MEDIADOR E MÁRTIR

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Dom Savio Hon Tai-Fai

Para o arcebispo Savio Hon Tai-Fai, o sacerdote deve encarnar os três “M”, sendo missionário, mediador e mártir.

O secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos fez esta reflexão no último sábado, ao presidir a ordenação sacerdotal de um frade franciscano na basílica romana de Santa Maria de Aracoeli.

Dirigindo-se ao ordenando, Frei Mauro Zannin, O.F.M. nascido na Suíça, o prelado comentou o Evangelho do 15º domingo do Tempo Comum, que conta a parábola do semeador (Mt 13, 1-23).

Entre seus discípulos, “Ele quis escolher alguns em particular, para que, exercitando publicamente, na Igreja e em seu nome, o ofício sacerdotal a favor de todos os homens, continuassem sua missão de mestre, sacerdote e pastor”.

Neste contexto, indicou o secretário do dicastério vaticano, “ser missionário significa ser enviado pelo Pai para amar”.

O sacerdote, prosseguiu, deve ser também mediador, como indicou o Papa Bento XVI, definindo o presbítero como “mediador entre Deus e os homens”.

Se na vida terrena “não faltam os sofrimentos e as provações, (…) o crente – e sobretudo o sacerdote – deve saber ter esperança e perseverança na glória futura”.

O terceiro “M” do sacerdote é o que evoca o martírio, declarou Dom Hon Tai-Fai, no dia em que a Igreja celebrava a festa dos 120 mártires chineses beatificados em vários grupos entre 1746 e 1951 e canonizados pelo Papa João Paulo II em 1º de outubro de 2000.

“O Evangelho – comentou o prelado, referindo-se ainda à passagem do semeador – fala do terreno bom para acolher a Palavra. O sangue dos mártires fecunda o terreno para a Palavra. Jesus Cristo é a Palavra definitiva e eficaz que saiu do Pai e voltou a Ele, cumprindo perfeitamente sua vontade no mundo. O semeador que leva a palavra se converte na própria Palavra.”

Para isso, o arcebispo exortou o ordenando a ser “testemunha de Cristo, para que, com a palavra e o exemplo, possa construir a Igreja e ser o perfume de Cristo em seus ensinamentos, em sua alegria e em seu apoio aos fiéis”.

“Siga o exemplo do Bom Pastor, que não veio para ser servido, mas para servir”, convidou.

O prelado concluiu citando uma oração de São Tomás, “porque está cheia do espírito de São Francisco”: “Meu Deus, não te esqueças de mim quando eu me esqueço de ti. Não me abandones, Senhor, quando eu te abandono. Não te afastes de mim quando eu me afasto de Ti. Se fujo de Ti, chama-me; se me resisto a ti, atrai-me; se caio, levanta-me”.

“Concede-me, eu te peço, uma vontade que te busque, uma sabedoria que te encontre, uma vida que te agrade, uma perseverança que te espere com confiança e uma confiança que, no final, chegue a possuir-te.”

Presidente da CNBB destaca importância dos meios de comunicação para a evangelização

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O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Aparecida, cardeal Raymundo Damasceno Assis, destacou a importância dos meios de comunicação para a evangelização na abertura do 1º Seminário de Comunicação para os Bispos do Brasil, aberto na noite desta terça-feira, 12, no Centro de Formação Sumaré, no Rio de Janeiro.

A Igreja, consciente da força e do alcance destes meios [de comunicação], os tem como indispensáveis aliados no anúncio da Boa Nova”, disse dom Damasceno. “A Igreja reconhece que nestes meios está a ‘versão moderna e eficaz do púlpito’, como nos asseverou o papa Paulo VI (EN 45), por isso, não mede esforço para se fazer presente em todos eles”, acrescentou o cardeal.

O seminário foi aberto às 19h30 pelo arcebispo do Rio de Janeiro e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação Social da CNBB, dom Orani João Tempesta. Ele agradeceu a presença dos bispos presentes e ressaltou a importância desta iniciativa da CNBB, juntamente com o Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais e apoio da arquidiocese do Rio.

O presidente do Pontifício Conselho, dom Claudio Maria Celli lembrou a importância da comunicação no ministério episcopal. “Ao iniciar este seminário de comunicação desejo sublinhar a importância da comunicação do ministério dos bispos e de sua transversalidade em relação à pastoral da Igreja”, disse. “É imperativo superar uma visão meramente instrumental dos meios de comunicação”, acrescentou

Segundo dom Celli, as novas tecnologias vão criando novas formas de socializar e novas linguagens e novas formas de relacionar-se entre as pessoas “e ao mesmo abrem horizontes e desafios à tarefa evangelizadora de cada um dos batizados”.

O Seminário prossegue amanhã com missa às 7h, presidida por dom Celli. Em seguida, o professor da Universidade Federal do Paraná, Elson Faxina, faz a conferência “Processos e meios, uma introdução ao fenômeno da Comunicação”. Ainda pela manhã, o professor da ECA/USP, Mauro Wilton de Souza, profere a conferência “Evolução dos modelos da comunicação e a construção de sentidos”.

Fonte: http://www.cnbb.org.br

Evangelho – Mt 11,25-27

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+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer:
“Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos.
Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.
Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
Palavra da Salvação.

Santo Henrique e Santa Cunegundes

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Muitos acusam a Idade Média como um “tempo de trevas” na História, e não tem como não pensar isto se não abrirmos os olhos e olharmos para o alto, pois neste lugar é que se encontram as luzes deste período, ou seja, os inúmeros santos e santas. Henrique e Cunegundes fazem parte deste “lustre”, pois viveram uma perfeita harmonia de afetos, projetos e ideais de santidade.
Henrique era filho de duque e nasceu num castelo na Alemanha em 973. Pertencia à uma família santa e por isso foi educado também por cônegos e, mais tarde, pelo bispo de Ratisbona, adquirindo assim toda uma especial formação cristã. Conta-se que espiritualmente ele preparou-se intensamente para assumir o trono da Alemanha, mas isto sem saber, pois ainda jovem sonhara com estas breves palavras: “Entre seis”; e com isto interpretou primeiramente que teria seis dias antes de morrer, mas, como não aconteceu, preparou-se em vista de seis meses e em seguida seis anos até, por Providência, assumir o reinado.
No caso de Henrique o adágio de que “por trás de um grande homem está uma grande mulher” funcionou, pois casou-se com a princesa de Luxemburgo, Cunegundes, uma mulher de muitas virtudes e inúmeros dons ao ponto de ajudar por 27 anos seu esposo na organização do império e implantação do Reino de Deus. Com a morte de Henrique II e seu reconhecimento de santidade, Conegundes foi morar num mosteiro, onde cortou o cabelo, vestiu hábito pobre e passou a obedecer suas superioras até ir ao encontro de Henrique no céu, isto quando tinha 61 anos. Sendo assim, ambos morreram sob a coroa de Sacro Romano no império terrestre e a coroa da Glória no império celeste.

Santo Henrique e Santa Cunegundes, rogai por nós!