Nós vos adoramos, ó Cristo, em todas as vossas igrejas que estão pelo mundo inteiro, e vos bendizemos, porque por vossa santa cruz remistes o mundo

Deixe um comentário

Assim como no evangelho, os discípulos de Cristo observando como seu mestre estava sempre em constante oração, os frades seguidores de São Francisco também pedem que ele os ensine a rezar. É bom lembrar que nesse tempo não havia padres na ordem, todos eram irmãos leigos consagrados ao Senhor. Nosso querido Frei Antônio ainda não ensinava teologia aos frades e na simplicidade de vida que levavam e na humildade de coração, já que muitos nem possuíam quaisquer tipos de instrução e no desejo de imitar Francisco em tudo, pedem ao seráfico Pai que os ensine a orar. Francisco a exemplo de Jesus ensina-lhes o Pai-Nosso. E também aconselha que repitam essa tão linda antífona: “Nós vos adoramos, ó Cristo, em todas as vossas igrejas que estão pelo mundo inteiro, e vos bendizemos, porque por vossa santa cruz remistes o mundo”. Sempre que os frades passavam por uma igreja, mesmo que de longe ou ao menos vissem qualquer coisa que lembrasse o sinal da cruz de Cristo, prostravam-se por terra e repetiam a oração ensinada por Francisco.

O mundo foi tão protestantizado, as coisas tão relativizadas, que muitos católicos hoje em dia, parecem ter vergonha de fazer o sinal de cruz. As pessoas de mais idade tinham o hábito de ao passar em frente a uma igreja, traçar sobre si o sinal da cruz. Infelizmente não vemos mais isso. É raríssimo hoje em dia. Não é apenas um ato piedoso, e sim, adoração ao Senhor que está presente verdadeiramente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade ali naquele lugar sagrado. Quando traço o sinal da cruz, costumo dizer ou em voz alta ou mentalmente: “Graças e louvores sejam dados a todo momento, ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento”.

A arquitetura de nossas igrejas tem mudado muito com o passar dos anos, antigamente era mais fácil identificar que uma igreja era católica, de longe já se percebia. Hoje em dia não. E por outro lado as igrejas protestantes tem assumido cada vez mais elementos da Igreja Católica, e corre-se o risco de confundir. Quando estou em uma cidade que eu não conheço e passo em frente a uma igreja que eu nunca vi, e por isso não tenho certeza se é católica ou não eu digo mesmo assim: “Graças e louvores sejam dados a todo momento, ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento”. Se a igreja for católica, Jesus no Santíssimo Sacramento recebe minha adoração, se não for católica fica em reparação a tantos abusos cometidos pelos protestantes em relação a presença real de nosso Deus na Eucaristia.

Quando entramos nas igrejas antigas, é aquele silêncio, aquela paz, uma sensação de realmente estar na casa de Deus. Hoje em dia, em nossas igrejas é tanta conversa, tanto barulho, você chega dez ou quinze minutos antes do início da missa pra fazer a sua oração pessoal e não consegue se concentrar de tanta bagunça que o povo faz. E se fosse só o povo, ainda tudo bem, mas a equipe de liturgia circulando de uma lado para o outro, passam cinqüenta vezes em frente do altar e em nenhuma delas fazem uma inclinação de cabeça. Sobem e descem do presbitério como se estivessem numa academia de ginástica, correndo, sem nunca fazer uma genuflexão. E o ministério de música ensaiando, passando o refrão do salmo. Faça-me o favor! Não é hora nem lugar pra isso! Estamos perdendo o respeito pelas coisas de Deus? Estamos vivendo um processo de dessacralização?  Que possamos nos espelhar nos frades franciscanos que se prostravam por terra ao ver qualquer coisa que lembrasse a Cruz do Senhor.

Sejamos sensatos. Sejamos ponderados. Que Deus tenha de nós misericórdia.

Assim seja. Amém.

Paz e bem!

Rodrigo Hogendoorn Haimann, ofs

Anúncios

Maria, modelo de amor a Deus

Deixe um comentário

Maria não poderia faltar no PHN. Ela é nossa mãe. Mas por que precisamos dela? Não é uma escolha, pois fazemos como Santa Terezinha, escolhemos Jesus e Sua santíssima Mãe. Aqui está a nossa fé.
Por que precisamos da Virgem Maria? Por que Deus nos deu essa mãe bondosa? Durante muito tempo tive o escrúpulo de achar que eu tinha de demonstrar toda minha adoração a Deus; eu tinha medo de ser devoto de Maria e, assim, tirar algo de Deus. Até que, então, me veio uma intuição. Não sei se ela é original, porque, no fundo, em teologia, quando acreditamos que inventamos algo, descobrimos que alguém muito mais sábio já tinha dito isso. Mas não li em lugar nenhum.
No capítulo 3 do Gêneses, quando surgiu o pecado original, o pecado de Adão e Eva teve uma primeira consequência: começaram a olhar para Deus como sendo um agressor, um inimigo.
Nesse PHN estamos refletindo sobre o amor de Deus. Mas como ter um amor ardente por Ele se temos medo dEle. Se temos medo de dizer “seja feita a vossa vontade”.
Maria é a mulher prometida, do capítulo 3 do Gêneses, que vem esmagar a cabeça da serpente. Mas gostaria de partilhar minha intuição. Exatamente porque Deus é amor infinito, Ele sabe que não somos amor infinito. Nós, por causa de nosso pecado, temos medo de Deus. Então, Maria é aquela mãe querida que Deus nos deu, pois diante de uma mãe não temos medo. Vejam, não é que o Senhor não é amor, Ele é amor infinito.

É evidente que o amor de Deus Pai é infinitamente maior que o amor da Virgem Maria, o problema está em nós, que não acolhemos o amor do Pai.
Meus queridos, é muito importante perceber que precisamos dela, porque ela é amae querida que vai amansar nosso coração, que vai nos dar calma e nos dizer que só quer o nosso bem.
Todos nós, diante da vontade de Deus, achamos que Ele vai nos julgar. Quantas pessoas olham para o céu achando que Deus é nosso inimigo. Meus irmãos, a grande providência de Deus é Maria Santíssima.
Diante da cruz, Maria foi aquela que acreditou até o fim. A Virgem é exemplo de amor ardente por Jesus Cristo. Ela é um exemplo de fé perfeita. Maria é a mãe da Igreja, é o lugar onde o Corpo de Cristo é gerado. Ela é a escola de Deus para nós.
Nós, brasileiros, precisamos dar a Maria um exército de filhos e filhas para esmagar a cabeça da serpente. Você tem uma escolha a fazer: ser descendente da mulher ou descendente da serpente. Existe inimizade entre os filhos de Maria e os filhos de satanás. Nós sabemos que nossa vitória já é certa, mas para que isso aconteça é preciso ser filho de Maria, a mulher prometida.

Fonte: http://www.cancaonova.com

REFLEXÃO DE PE. CESAR AUGUSTO PARA O XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Deixe um comentário

A demora na realização das promessas de Deus possibilita aos discípulos e a nós, entrarmos em crise. Percebendo essa situação, Jesus conta para eles e para nós, a parábola das sementes.
A Palavra de Deus é, em si mesma, boa e, se bem apresentada, produzirá muitos frutos; mas isso não depende só da Palavra; depende também das diversas situações em que se encontra o terreno onde ela é depositada, isto é, das diversas respostas.
A Palavra é oferecida e exatamente por ser oferecida, conserva em si todo o risco da negligência, do descaso, da não aceitação, da oposição.
De acordo com a parábola, ela poderá ser comida pelos pássaros, poderá cair entre as pedras e não criar raízes e, finalmente, poderá cair entre os espinhos e morrer sufocada. Vamos refletir sobre cada um desses alertas feitos por Jesus. O primeiro se refere à semente que pode ser ciscada pelos pássaros. É o nosso medo do sofrimento, em relação ao caminho da cruz, tantas vezes abordado por Jesus e a busca incessante de realizações, de êxito. É como aquela pessoa que vê na possibilidade de exercer um serviço eclesial, como uma ocasião de prestígio, de ter status.
A semente que caiu entre as pedras e não criou raízes, representa aqueles que só externamente aceitaram a Palavra. Ela não foi aceita com profundidade. Teme-se que a adesão a Cristo seja ocasião de constrangimento, de envergonhar-se.
A que caiu entre os espinhos é a semente sufocada, imagem de muitíssimos cristãos. As preocupações da vida presente, a atração exercida pelo ter, pelo poder, pelo possuir, pelo ganhar se impõem, são obstáculos para o acolhimento da Palavra.
A Palavra não é ineficaz, mas falta o acolhimento. A Palavra se adapta às condições do terreno, ou melhor, aceita as respostas que o terreno dá e que com freqüência são negativas. É necessário preparar o terreno, os corações, para que percam o endurecimento causado pelos ídolos das ideologias, do consumismo, do dinheiro, do prazer, das demais riquezas.
Se o terreno, se os corações forem trabalhados pela simplicidade, pela autenticidade, pela educação libertadora daqueles ídolos, a Palavra descerá qual chuva fina, penetrando a terra e fazendo a semente frutificar.

Fonte: http://www.radiovaticana.org

IGREJA SE ENCONTRA COM A ARTE; TALENTOS ESTRAGADOS

Deixe um comentário

Liz Lev

Para o 60º aniversário da ordenação de Bento XVI, o cardeal Gianfranco Ravasi, cabeça do Conselho Pontifício para a Cultura, foi além do esperado e organizou uma exposição de 60 artistas contemporâneos em homenagem ao Papa.

A exposição, realizada na Sala Paulo VI (em si mesma uma peça de arquitetura contemporânea de Pier Luigi Nervi, 1971), conta com 18 pintores, 12 escultores, 6 ourives, 6 músicos, 6 arquitetos, 7 fotógrafos e 5 poetas do século XX, e recebe o título de “Lo Splendore della Carità, La Bellezza della Verità” (“O Esplendor da Caridade, a Beleza da Verdade”).

A mostra foi aberta ao público de forma gratuita até o dia 4 de setembro. Ela reúne artistas provenientes do mundo inteiro: Japão (Kengiro Azuma), Rússia (Natalia Tsarkova), Escócia (James McMillan, quem trouxe o manuscrito da sua obra “Tu es Petrus”, dedicada a Bento XVI para sua visita à Abadia de Westminster de 18 de setembro de 2010).

A intenção da exposição é continuar o diálogo entre a Igreja e a arte, iniciado pelo Papa durante seu encontro com os artistas, em 21 de novembro de 2009, na Capela Sistina. Há uma impressionante variedade de obras, desde um tapete feito com material reciclado em homenagem ao “Papa verde” até a obra escrita por Ennio Morricone em forma de cruz, “uma reunião da música e da iconografia”, como a descreve o artista.

Alguns pareciam ter escapado do porão de alguém: uma obra, chamada “Azul”, de Agostino Bonalumi, de 1996, apresenta uma lona azul estendida sobre o que parecem duas colunas com uma almofada acomodada no centro. Acho que neste caso o que vale é a intenção.

A fotografia conquista a exposição. Jack Nickerson apresentou duas fotografias da vida católica em sua Irlanda natal. A primeira, “Altar”, mostra o santuário de uma igreja na escuridão com o resplandor da luz ao cruzar o vazio. A Igreja está preparada, Cristo a espera. A segunda, situada abaixo, intitulada “Refeitório II”, mostra umas simples mesas de madeira nas quais estão os restos de um frugal café da manhã. A confusão humilde contrasta com a supervisão de um crucifixo: ambos no grande rito da Missa e no simples serviço das nossas vidas diárias. Cristo é onipresente.

“A cruz solidária”, fotografias da austríaca Claudia Henzler, pareceu-me profundamente comovente. Tiradas no Haiti durante a semana de Páscoa de 2010, três meses depois do devastador terremoto, as cinco imagens estão dispostas em forma de cruz. No centro, duas mãos juntas, uma negra e outra branca, o desenho da energia no coração da cruz. À esquerda e à direita, duas pessoas estão em contemplação: em uma, um homem tem a Bíblia nas mãos e, na outra, uma mulher abraça sua filha. A meditação, a oração, o silêncio e o amor estão belamente expressados. Ao pé da cruz, uma criança se senta de costas, com a cabeça entre as mãos, símbolo da dor terrena; mas, na parte superior da cruz, uma criança olha para o espectador, seus grandes olhos em busca de esperança. A habilidade de Henzler para reunir os eventos recentes e as técnicas modernas com a eterna iconografia cristã deram uma grande esperança a esta historiadora da arte.

As maravilhas arquitetônicas obtiveram a maior parte da atenção. O espanhol Santiago Calatrava apresentou seu projeto para o cruzeiro da igreja de São João o Divino, de Nova Iorque, com seus pináculos de aço branco. Parece uma evolução extrema do estilo gótico do edifício, familiar, ainda que incongruente. Refletindo sobre os séculos em que os artesãos que trabalharam nas catedrais góticas tentaram combinar seu trabalho com a geração anterior, o trabalho de Calatrava evoca nossa nova época, onde a marca pessoal ensombrece o esforço coletivo. O planejado biojardim estufa do terraço exalta a nova religião da ecologia, que projeta sua sombra sobre os altares.

O arquiteto brasileiro de 103 anos de idade, Oscar Niemeyer, ofereceu seu projeto para a catedral de Belo Horizonte. A igreja parece um cometa que está na terra, mas cuja longa calda ainda se mantém no céu, cerca de 104 metros. Certamente, capta a atenção do espectador, mas a forma como proclama que é o espaço para adorar Deus feito Homem não me parece clara.

Um projeto atrai a atenção mais do que os outros. Historiador da arte barroca e famoso arquiteto, Paolo Portoghesi (que também desenhou a mesquita mais importante de Roma) apresentou um modelo para uma igreja a Bento XVI, dedicada a São Bento de Núrsia. Inspirado pelo “Espírito da Liturgia”, escrito pelo então cardeal Joseph Ratzinger, Portoghesi (quem afirma ter lido todas as obras de Bento XVI) desenhou um curvo e dinâmico espaço, não muito diferente do arquiteto barroco Francesco Borromini, seu campo de especialização.

Ainda que o edifício tenha oito lados com a tradicional imaginação cristã do oitavo dia da redenção, mantém um eixo rumo ao altar, onde está o tabernáculo, de acordo com os escritos de São Carlos Borromeu. Os confessionários estão localizados na entrada da igreja, assim como o “Eu Confesso” abre a Missa. As áreas especiais se abrem à leitura da Palavra de Deus, seguindo os interesses próprios de Bento XVI no uso dos ambões. É uma igreja muito barroca, destinada a causar controvérsia por seus espirais e complexos desenhos geométricos, mas sobretudo centrada na liturgia e atraindo as pessoas a Cristo.

Muitas das obras não têm nada a ver com a Igreja, mas a mostra pretende convidar os artistas a comprometer-se com as grandes verdades ao invés de com trivialidades subjetivas. O fato de que os artistas tentem reconhecer as verdades universais, na humanidade ou criatividade individual, parece ser um passo na direção correta.

O Papa Bento XVI fez um discurso aos artistas na mostra de 4 de julho, dizendo-lhes que o mundo moderno “precisa de que a Verdade brilhe e que não seja escurecida por mentiras ou banalidades; precisa inflamar-se com a caridade e não ser superada pelo orgulho ou pelo egoísmo”.

Enquanto a Igreja e a arte estão ainda longe da relação que compartilharam nos dias de Rafael ou Bernini, um diálogo contínuo e intenso parece ser a melhor forma de atrair estes dois mundos.

* * *

Gaga sobre Gaga

Ainda possam surgir objeções sobre a forma e o significado que a arte contemporânea apresenta, pelo menos Calatrava e Arnaldo Pomodoro podem ostentar o duramente conquistado título de artista. Esta semana me deparei com outro uso do título, o de pop star.

Enquanto acompanhava duas meninas, de 11 e 13 anos de idade, outro dia no Vaticano, assim que deixamos a Capela Sistina, a mais velha me perguntou: “Quem foi Judas?”. Eu não me iludia imaginando que essas meninas pediriam uma catequese sobre a Paixão de Cristo, mas não se pode culpar um historiador de arte de tentá-lo. Respondi que foi o amigo de Jesus que o traiu ao vendê-lo aos seus inimigos por dinheiro e, então, incapaz de acreditar que poderia ser perdoado, ele se suicidou em seu desespero.

De repente, as meninas disseram: “A Lady Gaga fez uma música sobre ele. Ela é a minha artista favorita!” (a “artista” em questão acaba de dar um concerto em Roma para comemorar o Dia do Orgulho Gay). Depois de uma tarde com Michelangelo, Rafael e as esculturas gregas clássicas, devo admitir que considerei a referência cultural das jovens senhoritas um pouco chocante.

Artistas do nível de Michelangelo – que, 500 anos após sua morte, ainda atrai 5 milhões de visitantes por ano às quentes e lotadas salas do Vaticano para maravilhar-se diante das suas conquistas extraordinárias e da declaração gloriosa do valor da pessoa humana – têm pouco em comum com a Lady Gaga (Stefani Germanotta), cuja “mensagem” é marcadamente trivial em comparação.

Defendendo calorosamente sua heroína, as meninas disseram que a mensagem da senhorita Germanotta é que as pessoas “nascem do jeito que são e deveriam ser livres para poder viver como quiserem”. Então eu perguntei: piromaníacos, cleptomaníacos, adúlteros em série que afirmam ter nascido com esta tendência deveriam poder viver “como querem”? O mantra de Germanotta de “nasci assim” é o pretexto mais frívolo para o mau comportamento, desde aquela história de que “o diabo me obrigou a fazer isso”.

Minha consternação diante desta mensagem atraiu a inevitável acusação da menina de 13 anos: “Então você não gosta dos bissexuais?”.

De alguma maneira, aos olhos dessas meninas, a rejeição à inacreditavelmente irritante música da senhorita Germanotta e a sua absurda representação de arte me converteu automaticamente em “homofóbica”. Não caminhar ombro a ombro com a cultura secular deve ser o único ato intolerável nesta sociedade tolerante com estilo próprio. Na Antiga Roma, duvidar da divindade do imperador constituía alta traição, como muitos cristãos descobriram no circo. Ensinar as crianças a julgar os mais velhos desta forma tampouco era incomum no Terceiro Reich. A senhorita Germanotta gritará uma mensagem de tolerância, mas só para ela mesma e seus seguidores.

No umbral da Basílica de São Pedro, voltei-me a elas e lhes disse: “Não creio que na definição de você mesma importe muito com quem mantém relações sexuais para dizer quem você realmente é”. Elas riram e cochicharam.

Essa conversa ficou gravada em mim durante os dias seguintes, alguns momentos da mesma me preocuparam profundamente.

Como ato de penitência, vi vários vídeos de Lady Gaga durante os dias seguintes (a maioria com o som desativado, pois afinal tampouco estamos na Quaresma), e me chamou a atenção o fato de que apesar dos enormes grupos de modelos organizados para as super-produções de 4 minutos, a única cara que se vê é a da senhorita Germanotta. Os magníficos corpos que giram e ondulam estão sempre privados de rosto. Parecem máquinas para prover prazer (e lucros) a uma só pessoa: a senhorita Germanotta. Seu mundo é decididamente Gaga-cêntrico, todos os demais são seus satélites nas sombras.

Michelangelo cercou-se de um número similar de corpos (inclusive menos vestidos) para seu Juízo Final. Esses corpos rodeiam a figura de Cristo o Juiz, assim como os bailarinos rodeiam a senhorita Germanotta. Os nus de Michelangelo, no entanto, têm rosto e, o mais importante, alma. O espetáculo de rodopios de corpos cercando uma jovem de 25 anos que proclama que não há nada como o pecado (exceto não adotar seu estilo de vida), é uma paródia de Mad Magazine do Cristo triunfante de Michelangelo que atrai as almas para ele depois de sofrer e morrer para redimir os pecados da humanidade.

O que me leva ao ponto mais chocante das extravagâncias de Lady Gaga. Parece que depois de tantos anos, não há imagem mais poderosa que o amor, o sofrimento e o compromisso total que a produzida pelo Cristianismo. Temo que muitos de seus seguidores não sabem o que é uma religiosa (de fato, as meninas estavam fascinadas pelas religiosas), mas o hábito religioso ainda proclama a castidade e o compromisso com algo e Alguém maior que si mesmo. Mantém seu poder, razão pela qual uma estrela do pop tenha tentado explorá-lo. Em vídeos onde menos (roupa) é mais e a novidade é tudo, a tradição ainda pode cativar e desestabilizar. A senhorita Germanotta pode tentar exorcizar suas raízes católicas com piadas sobre monges de plástico, mas a simplicidade que ela ridiculariza será sempre mais simbólica que suas extravagantes sátiras.

Ninguém foi capaz de superar a imagem do sofrimento por amor exemplificada pela Paixão de Cristo. A coroa de espinhos, os braços estendidos, as feridas e a humilhação alimentaram muitos mais do que uma estrela do pop buscando atenção. Nenhuma estrela pop fantasia sobre a extração asteca de corações ou a decapitação da Revolução Francesa, mas no entanto erotizam com o sofrimento de Cristo, porque admitem seus efeitos duradouros. Jesus sofreu, não por uma vã excitação física, como a senhorita Germanotta, e o que queremos conhecer é a profundidade de seu amor, um amor que está disponível para todos. E de novo, a senhorita Gemanotta não entende que a sexualidade onívora não é o mesmo que o amor universal.

Stefani Germanotta cresceu em uma família católica romana. Recebeu os sacramentos e frequentou uma escola católica, ao contrário dos seus fãs adoradores, que frequentemente ignoram o Cristianismo. A senhorita Germanotta pegou seus “talentos” e os vendeu por uma quantia bem mais considerável que a prata recebida por seu predecessor, Judas. Alguém ainda pode ter esperança e rezar para que ela não siga o caminho do desespero, levando seus discípulos junto.

— — —

* Elizabeth Lev leciona Arte e Arquitetura Cristãs no campus italiano da Duquesne University e no programa de Estudos Católicos da Universidade San Tommaso.

Fonte: http://www.zenit.org

Encerrado o Seminário de Comunicação no Rio

Deixe um comentário

Uma série de palestras marcou o encerramento do 1º Seminário de Comunicação para os Bispos do Brasil (SECOBB), neste sábado, 16, no Centro de Formação Sumaré, no Rio de Janeiro. O evento, que começou na terça-feira, 12, reuniu mais de 60 bispos de todo o país e foi promovido pelo Pontifício Conselho para as Comunicações Socias, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Pouco antes de terminar, o Seminário teve a visita do padre Zezinho, que ontem foi homenageado na PUC-Rio, pelos seus 70 anos, com um show que contou com a presença participantes do SECOBB. Pe. Zezinho falou aos bispos da necessidade de investimento em comunicação na Igreja.

“Comunicação precisa de investimento econômico e de pessoas capacitadas”, disse. Ele criticou a presença de “pregadores da fé” que estão na mídia “despreparados” e pediu que os bispos sejam exigentes com os comunicadores cristãos.

“Está havendo muitos deslizes doutrinários nas canções e nas mídias. Está faltando doutrina e catequese. Estamos na época da excrescência em que o mensageiro está maior que a mensagem. Desta forma não há Igreja que resista”, observou. “Sejam exigentes com seus comunicadores. O pregador da fé tem que aceitar controle”, acrescentou.

Conferências

Os bispos tiveram uma manhã cheia antes do encerramento do Seminário. Foram quatro palestras após a missa presidida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, às 7h, na capela do Centro de Formação Sumaré.

Caixa de Ferrramentas
O consultor educacional, Ricardo Quaresma Chagas, apresentou o projeto “Caixa de Ferramentas”, que visa ajudar os jovens a usarem de forma adequada as diversas mídias. Com um ônibus equipado com estações de TV e rádio via web, tablets, laptops e projetor de vídeo, Chagas promove atividades em ambientes como shoppings, igrejas e escolas. Seu objetivo é levar os jovens a usarem as novas mídias de forma cidadã e responsável.

“O material tecnológico não gera vínculo porque é individual. No espaço virtual é que os jovens colocam a realidade deles. A geração digital não tem vida real: não namora, não brinca, não sabe conversar. A juventude não está perdida, mas desamparada”, considerou.

Desafios
O padre Gildásio Mendes dos Santos falou sobre os desafios da comunicação institucional da Igreja no contexto da cultura midiática. Ele defendeu que a verdadeira mudança na sociedade atual não é tecnológica, mas humana.

“[A mudança] Não é uma revolução digital, tecnológica, mas relacional”, afirmou. “A mudança humana e relacional na era das novas tecnologias está arraigada na força dos valores percebidos e novo estilo de vida. Neste  novo contexto, surgem novas oportunidades para aproximar, dialogar e interagir para  evangelizar as novas gerações institucionalmente”, completou.

RIIAL
A coordenadora da Rede de Informática da Igreja na América Latina (RIIAL), Leticia Saberon, expôs para os bispos a finalidade e o trabalho da RIIAL. De acordo com a coordenadora, na Igreja, é preciso abandonar o trabalho individual e partir para o trabalho em rede.

“Um grande inimigo da comunhão é o individualismo pastoral”, sublinhou. Ela destacou a importância da comunicação interna da Igreja. “A comunicação interna expressa a comunhão que está no coração da Igreja, favorece uma ação harmônica das áreas de trabalho e evita a sensação de exclusão”, acentuou.

Segundo Letícia, a RIIAL nasceu em 1987 para facilitar a comunicação entre os bispos e depois se expandiu para os países. “A RIIAL tem quatro pilares: chegar aos últimos, ser mesa comum onde todos colocam o que têm, ter tecnologia segundo a necessidade de cada um e não basta a tecnologia”, esclarece.

Pascom
A última conferência da Seminário foi sobre a Pastoral da Comunicação, proferida pela professora Rosane Borges e Irmã Élide Fogolari, assessora da Comissão Episcopal para a Comunicação Social, da CNBB, organizadora do evento.

Rosane defendeu que a Pastoral da Comunicação deve estar afinada com as reflexões e teorias da comunicação, tendo como base as orientações e documentos da Igreja. “É fundamental que as ações da Pascom sejam suportadas por fundamentos teóricos e éticos que orientem o agente de pastoral a ser um gestor importante dos processos comunicativos na comunidade”, disse.

Um dos desafios da Pascom, segundo Rosane, é tirar a informação e a comunicação do império da tecnologia. “Pensar a passagem da informação à comunicação significa destecnologizar a comunicação, recolocando a técnica no seu devido lugar”.

Já irmã Élide acentuou que a Pascom não é mais uma pastoral, mas serviço de comunhão. “Pascom é o eixo transversal de toda a ação pastoral da Igreja. Ela permeia as demais pastorais”, explicou.

Fonte: http://www.cnbb.org.br

Evangelho – Mt 13,24-43

Deixe um comentário

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus
Naquele tempo:
Jesus contou outra parábola à multidão:
“O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo.
Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora.
Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio.
Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram:
“Senhor, não semeaste boa semente no teu campo?
Donde veio então o joio?”
O dono respondeu:
“Foi algum inimigo que fez isso”.
Os empregados lhe perguntaram:
“Queres que vamos arrancar o joio?”
O dono respondeu:
Não! pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo.
Deixai crescer um e outro até a colheita!
E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo:
arrancai primeiro o joio e o amarrai em feixes para ser queimado!
Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!””
Jesus contou-lhes outra parábola:
“O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo.
Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas.
E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos.”
Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola:
“O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado.”
Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões.
Nada lhes falava sem usar parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta:
Abrirei a boca para falar em parábolas;
vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”.
Então Jesus deixou as multidões e foi para casa.
Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram:
“Explica-nos a parábola do joio!”
Jesus respondeu:
Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem.
O campo é o mundo.
A boa semente são os que pertencem ao Reino.
O joio são os que pertencem ao Maligno.
O inimigo que semeou o joio é o diabo.
A colheita é o fim dos tempos.
Os ceifadores são os anjos.
Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos:
o Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal;
e depois os lançarão na fornalha de fogo.
Ali haverá choro e ranger de dentes.
Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai.
Quem tem ouvidos, ouça.”
Palavra da Salvação.

Bem-aventurado Inácio de Azevedo e companheiros mártires

Deixe um comentário

Quarenta mártires. Entre eles 2 padres, 24 estudantes e 14 irmãos auxiliares. Portugueses e espanhóis. Todos pertenciam à Companhia de Jesus.
Inácio de Azevedo nasceu no Porto em 1526. Aos 23 anos, já tinha entrado na Companhia de Jesus ocupando vários serviços. Era ardoroso pelas missões além fronteiras.
Foi quando o Superior Geral o enviou para o Brasil e, ao retornar, testemunhou a necessidade de mais missionários. Saíram por isso, 3 naus missionárias. Em uma delas estavam Inácio de Azevedo e os 39 companheiros. A nau foi interceptada por 5 navios de inimigos da fé católica que queriam a morte de todos.
Por amor à Igreja ele aceitou o martírio. Exortou e consolou seus filhos espirituais. Foi morto e lançado ao mar. E todos foram martirizados, alcançando a coroa da glória na eternidade.
Inácio e seus companheiros foram assassinados por serem católicos e missionários. Estamos no tempo das novas missões. A começar na nossa casa e onde convivemos. Ali, é o primeiro lugar onde devemos testemunhar o amor a Cristo e, se preciso, sofrer por Ele.
Nossa Senhora está conosco, os santos intercedem por nós e os mártires rogam pela nossa fidelidade.

Bem-aventurado Inácio de Azevedo e companheiros mártires, rogai por nós!